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A arte contemporânea propicia o artista a usar várias técnicas e materiais para sua expressão máxima – a obra. É o caso de Andréa Antonon . Nesta exposição ela apresenta dois momentos específicos e distintos de seu trabalho que se integram e se distanciam mas onde podemos verificar a delicadeza da manipulação de materiais diversos e a maestria dos resultados.
Quando trabalha com papéis, Andréa brinca de corte/recorte, acrescenta, coloca, impõe materiais sobre papéis artesanais, imprime sua marca fazendo uma leitura única do "acaso controlado". Seus trabalhos em pequeno formato nos parecem um jogo onde as peças – pedras, radicas, cristais, madeiras – estão dispostas sobre um "tabuleiro" natural e nos induzem, apenas com o olhar, a transformar e ordenar essas peças, segundo nossa intuição. São trabalhos ilustrativos de uma necessidade quase ecológica da permanência de objetos da natureza no universo da arte. Nos outros trabalhos, Andréa explora as possibilidades do branco da tela, ao mesmo tempo em que nos induz aos devaneios, desperta nossa sensibilidade para a proeza que as texturas especiais e o acréscimo de outros materiais imprimem nas pinturas. O jogo dessas texturas formando tons de branco propicia, através da luz indireta, volumes pictóricos e sombras, aumentando a tensão do contraste do branco x sombra e revelando ao espectador suas mais profundas sensações e inquietudes. As várias possibilidades desses trabalhos únicos ou múltiplos, isolados ou juntos, rítmicos ou não, estimula a natureza sem objetos, a pureza suprema e o silêncio. É o momento da introspecção e do isolamento estético. São obras que discutem e revelam uma natureza viva e uma natureza recriada na pureza do abstrato. Piedade Grinberg Sobre a exposição no Solar Grandjean de Montigny, PUC - RJ |